Ufam conquista principal prêmio mundial em Oftalmologia

Projeto Amazônico Oftalmologia Humanitária trabalha na prevenção da cegueira e da deficiência visual através da prestação de serviços oftalmológicos a populações carentes

Ufam conquista principal prêmio mundial em Oftalmologia Divulgação Notícia do dia 20/09/2019

O Projeto Amazônico Oftalmologia Humanitária, promovido pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em parceria com o Instituto Paulista de Estudos e Pesquisas em Oftalmologia (Ipepo/Unifesp), Fundação Piedade Cohen (Fundapi), Sociedade Amigos da Marinha (Soamar) e indústrias parceiras conquistou, no último dia 4, em Lisboa, o Prêmio Champalimaud de Visão 2019. Além do reconhecimento internacional, o Ipepo/Unifesp receberá, em nome do grupo, 330 mil de euros (R$ 1,4 milhões) para expandir e aprimorar ações relacionadas ao combate à cegueira.  

 

Os vencedores anunciados foram todos brasileiros. Ao lado do Ipepo/Unifesp, os outros dois projetos premiados são da Fundação Altino Ventura e do Serviço de Oftalmologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De acordo com o professor e oftalmologista Jacob Moisés Cohen, vice-reitor da Ufam, este é o reconhecimento dos serviços oftalmológicos humanitários prestados às pessoas com acesso limitado à assistência ocular.

 

“O Oftalmologia Humanitária é um trabalho de mais de 20 anos e representa a união de esforços entre universidades públicas, instituições filantrópicas e as indústrias que produzem insumos e equipamentos de Oftalmologia. Além dos atendimentos clínicos, o projeto oferece cirurgia de catarata (cegueira reversível) e pterígio. Começamos operando apenas catarata e depois verificamos que as pessoas atendidas precisavam de óculos e não tinham condições econômicas de adquirir. Mais uma vez, contamos com o apoio de empresas parceiras e começamos a oferecer Lupa Leitor. Os procedimentos são realizados por cirurgiões reconhecidos mundialmente que se dispõem a participar, voluntariamente, da ação”, enfatizou.

 

Para o presidente do Ipepo/Unifesp, oftalmologista e professor Rubens Belfort Junior, o Prêmio Champalimaud de Visão 2019 não tem apenas valor financeiro, mas, principalmente, pela credibilidade que traz ao Brasil e às nossas instituições. “O Ipepo/Unifesp se orgulha de ter esta parceria forte com a Ufam, que garante apoio institucional e ainda incorpora aporte privado das indústrias e grandes parceiros como a Sociedade Amigos da Marinha (Soamar). Este prêmio é adequado ao esforço realizado por todos nós e, principalmente, pela relevância de seguirmos trabalhando de maneira construtiva na Amazônia. Com a verba recebida, vamos seguir levando a melhor tecnologia, inclusive de recursos humanos, para as populações da Amazônia sob orientação do professor Jacob Moisés Cohen”, falou.

 

Segundo o presidente da Sociedade Amigos da Marinha (Soamar/Manaus), Sérgio Vianna, a Soamar é o elo de ligação entre as instituições civis que integram o projeto Oftalmologia Humanitária e a Marinha do Brasil. “No projeto, nós temos a função de intermediar as relações entre as Universidades e a Marinha do Brasil. Aos firmamos a parceria foi possível utilizar as embarcações de assistência hospitalar da Marinha na ação. Assim, com o apoio da Marinha, o atendimento oftalmológico chega nas regiões mais distantes do Amazonas”, explicou.

 

Em 2019, o Oftalmologia Humanitária realizou expedição ao interior do Amazonas para levar saúde, esperança e dignidade à população ribeirinha. Desta vez, a expedição passou por cinco municípios localizados ao longo da calha do Rio Madeira: Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba e Nova Olinda do Norte. A ação foi realizada entre os dias 13 e 21 de abril, como resultado da expedição, foram realizadas cerca de 500 cirurgias de catarata ou de pterígio e foram entregues mais de cinco mil pares de óculos.

 

Os números do projeto surpreendem, afinal, já são mais de 30 mil pessoas atendidas com assistência especializada e prescrição de medicamentos, além da doação superior a 20 mil lupas para perto e das intervenções cirúrgicas que superam dez mil procedimentos. Nos últimos dois anos, a Ufam qualificou o Projeto Amazônico como um programa de extensão vinculado à Pró-Reitoria de Extensão (Proext). Além de prestar assistência à população do interior, também são coletadas informações para subsidiar publicações científicas.

 

Os próximos passos do projeto Amazônico Oftalmologia Humanitária incluem aumentar as áreas de impacto no Baixo Amazonas. Os docentes querem também investir no combate a uma doença pouco valorizada e muito comum no interior amazônico, o pterígio.

 

Por Irina Coelho e Cristiane Souza
Equipe Ascom/Ufam

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