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Notícia do dia 10/07/2026
O aumento da visibilidade do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), impulsionado principalmente pelas redes sociais, ampliou o acesso à informação, mas também acendeu um alerta entre especialistas sobre os riscos da automedicação. No Dia Mundial de Conscientização do TDAH, celebrado em 13 de julho, profissionais da saúde reforçam que o diagnóstico e o tratamento da condição devem ser realizados exclusivamente com acompanhamento médico.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a capacidade de concentração, organização, planejamento e controle dos impulsos. A condição está relacionada a alterações nos níveis de dopamina e noradrenalina, neurotransmissores responsáveis pela comunicação entre os neurônios e pelo funcionamento de áreas do cérebro ligadas à atenção e à regulação das emoções.
Um estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), baseado na análise de pesquisas nacionais e internacionais, estima que cerca de 8% das crianças e adolescentes no mundo apresentam o transtorno. No Brasil, o levantamento identificou 229.872 atendimentos ambulatoriais de crianças com diagnóstico de TDAH apenas em 2022.
Para o farmacêutico da rede Santo Remédio, Alessandro Braga, a popularização do tema trouxe benefícios ao ampliar a conscientização da população, mas também favoreceu o uso inadequado de medicamentos.
“Como o TDAH ficou mais conhecido, especialmente por conta das redes sociais, o risco de pessoas buscarem medicamentos sem avaliação adequada se tornou maior. O tratamento precisa ser individualizado e acompanhado por profissionais habilitados”, afirma.
Segundo o especialista, os medicamentos utilizados no tratamento atuam diretamente sobre os neurotransmissores envolvidos no transtorno, melhorando a concentração, reduzindo a impulsividade e facilitando a execução das atividades diárias.
“Alguns desses medicamentos atuam bloqueando a recaptação da dopamina, aumentando sua disponibilidade em áreas do cérebro relacionadas ao foco e à atenção. Outros estimulam a liberação de neurotransmissores como a dopamina e a noradrenalina, contribuindo para a melhora da concentração e do controle dos impulsos”, explica.
Braga destaca que não existe uma dosagem única para todos os pacientes. A definição da quantidade e da frequência de uso depende de fatores como idade, peso, sintomas e resposta ao tratamento.
Os medicamentos costumam ser administrados pela manhã, uma ou duas vezes ao dia, conforme a formulação prescrita. Nas versões de liberação prolongada, os efeitos podem durar até 12 horas, permitindo maior estabilidade durante atividades escolares, acadêmicas e profissionais.
Segundo o farmacêutico, ajustes na medicação são comuns durante os primeiros meses de tratamento.
“É normal que o médico faça adaptações até encontrar o equilíbrio entre os benefícios terapêuticos e a tolerância do paciente”, afirma.
Acompanhamento é indispensável
Os medicamentos utilizados no tratamento do TDAH exigem receita médica e acompanhamento periódico. No Brasil, os principais fármacos estão sujeitos às regras da Portaria SVS/MS nº 344/98, que estabelece controle especial para a dispensação desses medicamentos.
O uso inadequado pode provocar efeitos adversos como insônia, perda de apetite, aumento da pressão arterial e, em casos mais graves, complicações cardiovasculares.
“O paciente não deve interromper o tratamento nem alterar doses por conta própria. Qualquer mudança precisa ser discutida com o médico responsável”, orienta Braga.
O diagnóstico do TDAH é realizado por especialistas, como psiquiatras e neuropediatras, a partir de avaliação clínica detalhada. Quando necessário, o tratamento medicamentoso é associado à terapia comportamental, orientação familiar e estratégias de adaptação para a rotina escolar, profissional e social.
Com informações da assessoria da rede Santo Remédio.