Foto: Divulgação
Notícia do dia 21/05/2026
A repercussão de um surto de Hantavirose registrado em um cruzeiro iniciado na Argentina reacendeu o alerta sobre a doença, considerada rara, mas potencialmente grave. Apesar da baixa transmissão entre humanos, especialistas chamam atenção para a rápida evolução clínica da infecção e para a dificuldade no diagnóstico inicial, já que os sintomas podem ser confundidos com dengue, influenza, leptospirose e outras viroses.
Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que a hantavirose registra entre 10 mil e 100 mil casos por ano no mundo, principalmente na Europa e na Ásia. No Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 2.412 casos e 926 mortes entre 1993 e 2025. No Amazonas, foram 41 notificações desde 2013, com apenas um caso confirmado e evolução para cura.
O infectologista Marcelo Cordeiro explica que o vírus é transmitido principalmente pela inalação de partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados.
“No Brasil, a forma clínica mais frequente é a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, que compromete rapidamente os pulmões e o sistema circulatório”, alerta.
Segundo o especialista, a transmissão ocorre com mais frequência em áreas rurais, chácaras e sítios, mas também pode atingir centros urbanos quando há condições favoráveis à presença desses animais.
Os sintomas iniciais costumam incluir febre, dores musculares, dor de cabeça, dor abdominal e diarreia, o que dificulta a identificação precoce da doença.
“A principal forma de diferenciar essas doenças é por meio da avaliação médica e dos exames laboratoriais. Além dos sintomas, é importante investigar se houve exposição a ambientes com possível presença de roedores”, explica Marcelo Cordeiro.
Entre os exames utilizados para confirmação estão testes sorológicos específicos, hemograma, radiografia de tórax e avaliação da oxigenação sanguínea.
Ainda não existe tratamento antiviral específico para a hantavirose. O atendimento médico é voltado ao controle dos sintomas e ao suporte clínico, principalmente nos casos de comprometimento respiratório.
Os especialistas alertam que sintomas como falta de ar, febre alta e queda de pressão exigem atendimento médico imediato, já que a doença pode evoluir rapidamente para quadros graves.
Para prevenção, o Ministério da Saúde orienta evitar contato com roedores silvestres e manter ambientes limpos, sem acúmulo de lixo ou entulho. Também é recomendado ventilar locais fechados antes da limpeza, reduzindo o risco de inalação de partículas contaminadas.