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Notícia do dia 22/07/2026
Mesmo conciliando responsabilidades com a família, a casa e o trabalho, as mulheres são maioria nos cursos técnicos profissionalizantes no Brasil. O dado é do Censo Escolar 2025, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e mostra o avanço da participação feminina na qualificação profissional.
Entre os matriculados em cursos técnicos, 67,7% têm menos de 20 anos. Nessa faixa etária, as mulheres representam 51% das inscrições. A maior diferença entre os sexos aparece entre estudantes de 40 a 49 anos, grupo em que elas correspondem a 64,3% das matrículas.
Em Manaus, a estudante de eletrotécnica Jéssica Thaís Sena Queiroz, de 29 anos, decidiu investir na formação técnica para ampliar as oportunidades de emprego.
“Escolhi o curso de eletrotécnica porque estava procurando uma oportunidade de me qualificar e entrar mais rapidamente no mercado de trabalho”, afirma.
Segundo ela, a demanda da indústria influenciou a escolha.
“Como a indústria oferece muitas oportunidades profissionais, enxerguei o curso técnico como uma forma de adquirir conhecimento, desenvolver novas habilidades e aumentar minhas chances de conquistar uma boa colocação”, explica.
Jéssica também acredita que a formação técnica fortalece a autonomia feminina.
“Uma profissão formal traz mais independência, segurança e perspectivas de crescimento. Quanto mais mulheres ocuparem esses espaços, mais estaremos incentivando outras a acreditarem no próprio potencial e seguirem o caminho que desejarem”, destaca.
Retomada dos estudos após a maternidade
A estudante de enfermagem Jennifer Thaynara Cardoso Correia, de 26 anos, interrompeu a graduação em biomedicina ao descobrir a gravidez. Depois do nascimento do filho, reorganizou a rotina e decidiu retomar os estudos por meio do ensino técnico.
“Depois que tive o bebê, organizei minha vida e voltei decidida a continuar os estudos na minha área”, relata.
Para Jennifer, a formação técnica representa uma alternativa para conquistar estabilidade financeira em menos tempo, especialmente para mulheres que conciliam maternidade e carreira.
Crescimento também é percebido nas escolas
A diretora-presidente do Centro de Ensino Técnico (Centec), Eliana Cássia de Souza, afirma que a predominância feminina é uma realidade observada na instituição. Segundo ela, além dos cursos da área da saúde, cresce o número de mulheres em formações tradicionalmente ocupadas por homens, como eletrotécnica, refrigeração e informática.
“Os dados do Censo refletem uma realidade que também observamos diariamente no Centec. As mulheres têm buscado qualificação como estratégia para conquistar autonomia financeira, crescer profissionalmente e transformar suas trajetórias, inclusive em áreas onde antes eram minoria”, afirma.
Para atender esse público, a instituição ampliou a oferta de cursos na modalidade a distância, permitindo que estudantes conciliem a formação com o trabalho, os filhos e outras responsabilidades.
“Mantemos parcerias ativas com empresas da indústria e de outros setores, que buscam diretamente o Centec para selecionar estagiários e futuros colaboradores. Isso proporciona às nossas alunas um caminho mais curto entre a sala de aula e o mercado de trabalho”, explica.
Segundo Eliana, cada mulher que conclui um curso técnico amplia suas possibilidades de inserção profissional e conquista maior autonomia financeira.