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Obesidade infantil avança no Brasil e já afeta um terço de crianças e adolescentes

No Dia da Conscientização Contra a Obesidade Infantil, especialista alerta para diagnóstico precoce e riscos que podem acompanhar o paciente por toda a vida

Obesidade infantil avança no Brasil e já afeta um terço de crianças e adolescentes Foto: Magnific Notícia do dia 02/06/2026

 

Uma em cada três crianças e adolescentes brasileiros entre 0 e 19 anos vive com excesso de peso. O dado faz parte do Panorama da Obesidade em Crianças e Adolescentes e acende um alerta para os impactos da doença na saúde física e emocional desde os primeiros anos de vida.

 

 

O cenário ganha ainda mais atenção neste 3 de junho, Dia da Conscientização Contra a Obesidade Infantil. O levantamento mostra que o excesso de peso atinge atualmente um terço da população infantojuvenil do país, percentual superior ao registrado em 2015, quando o índice era de 29,6%.

 

 

O alerta também é reforçado pelo Atlas Mundial da Obesidade 2026, da Federação Mundial de Obesidade. Segundo o relatório, mais de 180 países registraram aumento nos índices de sobrepeso e obesidade entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos desde 2010. A projeção é de que pelo menos 120 milhões de jovens apresentem sinais precoces de doenças crônicas até 2040.

 

 

A endocrinologista e consultora médica do Sabin Diagnóstico e Saúde, Isabella Oliveira, explica que a identificação do risco pode começar ainda nas consultas de rotina, por meio da avaliação do Índice de Massa Corporal (IMC), calculado a partir da relação entre peso e altura.

 

 

“Para crianças e adolescentes, utilizamos gráficos de IMC por idade e sexo, que permitem comparar o crescimento de cada paciente com parâmetros adequados para a faixa etária”, afirma.

 

 

Diagnóstico precoce ajuda a evitar complicações

 

 

Segundo a especialista, exames laboratoriais podem ser solicitados mesmo antes da instalação da obesidade, permitindo uma avaliação mais ampla e intervenções precoces.

 

 

Entre os exames mais indicados para crianças e adolescentes com sobrepeso estão o perfil lipídico, que mede colesterol e triglicerídeos, a glicemia de jejum e exames que avaliam o funcionamento do fígado.

 

 

A investigação também pode ser necessária quando existem sinais clínicos associados à resistência à insulina, como escurecimento da pele em regiões de dobra, aumento da circunferência abdominal e alterações na relação entre cintura e altura.

 

 

De acordo com Isabella Oliveira, a obesidade infantil tem origem multifatorial. Embora exista predisposição genética, fatores ambientais costumam desempenhar papel decisivo no desenvolvimento da doença.

 

 

“Alimentação rica em ultraprocessados, consumo excessivo de açúcar, sedentarismo e muito tempo em frente às telas são fatores que favorecem o ganho de peso”, explica.

 

 

A médica ressalta ainda que algumas doenças endocrinológicas, como hipotireoidismo, síndrome de Cushing e síndromes genéticas, também podem estar associadas ao quadro e devem ser investigadas quando houver suspeita clínica.

 

 

Consequências podem se estender até a vida adulta

 

 

Considerada uma doença crônica, a obesidade infantil aumenta o risco de problemas de saúde que podem acompanhar o paciente por toda a vida. Entre as complicações mais frequentes estão diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alterações do colesterol e doenças cardiovasculares.

 

 

Além dos impactos físicos, o excesso de peso pode afetar a autoestima e a saúde emocional das crianças e adolescentes.

 

 

“O impacto psicológico é significativo. Muitas crianças desenvolvem insegurança, baixa autoestima e dificuldades de socialização. Por isso, o cuidado precisa envolver não apenas o corpo, mas também a saúde emocional”, destaca Isabella.

 

 

A especialista reforça que o tratamento deve envolver uma equipe multidisciplinar, formada por endocrinologista, pediatra, nutricionista, psicólogo e educador físico. A participação da família também é considerada fundamental para o sucesso das mudanças de hábitos.

 

 

“Existem medicamentos aprovados para determinadas faixas etárias, mas eles funcionam como suporte. A base do tratamento continua sendo a adoção de hábitos saudáveis e mudanças no estilo de vida”, conclui.