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Notícia do dia 17/06/2026
Por muito tempo, a insulina foi associada quase exclusivamente ao diabetes. Hoje, especialistas chamam atenção para um aspecto cada vez mais importante da saúde preventiva: compreender como o organismo responde a esse hormônio pode ajudar a identificar desequilíbrios metabólicos antes do surgimento de doenças.
Produzida pelo pâncreas, a insulina é responsável por permitir que a glicose entre nas células e seja utilizada como fonte de energia. Quando esse mecanismo deixa de funcionar adequadamente, pode ocorrer a chamada resistência à insulina, condição relacionada ao aumento do risco de desenvolver diabetes, doenças cardiovasculares e outros problemas metabólicos.
Dados de estudos realizados no Brasil apontam que a síndrome metabólica — conjunto de fatores frequentemente associado à resistência à insulina — apresenta alta prevalência entre adultos, o que reforça a importância do acompanhamento preventivo.
Segundo a endocrinologista Isabella Oliveira, do Sabin Diagnóstico e Saúde, ainda existe desconhecimento sobre a atuação da insulina no organismo.
“A insulina participa de diversos processos importantes do organismo e não deve ser associada apenas ao diabetes. Mudanças nesse sistema podem influenciar o metabolismo, a composição corporal e aumentar riscos futuros. Por isso, identificar esses sinais antes do aparecimento da doença faz diferença”, explica.
Sinais que merecem atenção
Entre os fatores que podem indicar alterações metabólicas estão histórico familiar, excesso de gordura abdominal, sedentarismo, pressão alta, alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos, além de mudanças persistentes na glicemia.
A especialista destaca ainda sinais físicos que podem estar associados à resistência à insulina, como o escurecimento de dobras da pele e o surgimento de pequenas elevações na região do pescoço, conhecidas como acrocórdons.
“Muitas pessoas esperam algum desconforto importante para procurar avaliação. Mas alterações metabólicas nem sempre provocam sintomas nas fases iniciais. Por isso, o acompanhamento médico e os exames preventivos são fundamentais para identificar essas mudanças precocemente”, afirma.
Exames ajudam na avaliação
A investigação pode incluir exames como glicemia de jejum, hemoglobina glicada, dosagem de insulina e perfil lipídico. A escolha dos testes depende da avaliação médica e das características individuais de cada paciente.
Os especialistas alertam que os resultados laboratoriais devem ser analisados dentro do contexto clínico, evitando interpretações isoladas que possam levar a conclusões equivocadas.
Atenção à automedicação
O crescente interesse por temas relacionados ao metabolismo e ao emagrecimento também acende um alerta para o uso inadequado de medicamentos e substâncias sem orientação profissional.
“O interesse por saúde metabólica é positivo quando leva ao cuidado consciente. O problema surge quando existe automedicação ou interpretação incorreta de exames. Dependendo da situação, isso pode provocar episódios de hipoglicemia, que exigem atenção médica”, ressalta Isabella Oliveira.
A endocrinologista reforça que o tratamento da resistência à insulina vai muito além da perda de peso.
“Existe um mito de que tratar resistência insulínica significa apenas emagrecer. Estamos falando de saúde integral e redução de riscos ao longo do tempo. Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento individualizado continuam sendo as medidas com maior impacto comprovado”, destaca.
Para a especialista, a prevenção deve ser encarada como uma ferramenta para ampliar a qualidade de vida e não apenas como uma estratégia para evitar doenças.
“Monitorar a saúde é entender melhor como o organismo funciona e criar oportunidades de cuidado antes que alterações mais importantes apareçam”, conclui.