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Um em cada cinco idosos usa vários medicamentos e precisa de atenção com as combinações

Uso de vários medicamentos pode aumentar o risco de efeitos indesejados e exige acompanhamento de médicos ou farmacêuticos

Um em cada cinco idosos usa vários medicamentos e precisa de atenção com as combinações Foto: Magnific Notícia do dia 24/08/2026

 

O aumento da população idosa no Brasil vem acompanhado de um desafio para a saúde: o uso simultâneo de diferentes medicamentos no tratamento de doenças crônicas. Entre 2012 e 2025, a parcela de brasileiros com 60 anos ou mais passou de 11,3% para 16,6%, cenário que também amplia a ocorrência da chamada polifarmácia — quando uma pessoa utiliza cinco ou mais medicamentos ao mesmo tempo.

 

Um estudo publicado na Revista de Saúde Pública, da Universidade de São Paulo (USP), aponta que 20% dos idosos brasileiros fazem uso de polifarmácia. Entre aqueles com obesidade, o índice chega a 26%.

 

O uso de vários medicamentos não significa, necessariamente, um problema. No entanto, a combinação exige acompanhamento profissional, principalmente porque o organismo passa por mudanças durante o envelhecimento que podem alterar a forma como os remédios são processados.

 

Segundo o supervisor farmacêutico da Rede Santo Remédio, Jhonata Vasconcelos, fígado e rins passam a processar medicamentos mais lentamente com o avanço da idade, o que pode favorecer o acúmulo de determinadas substâncias e aumentar a possibilidade de interações.

 

“Com o envelhecimento, o fígado e os rins processam os remédios mais lentamente. Isso significa que substâncias que seriam seguras isoladamente podem se acumular e interagir quando combinadas. Por isso, é sempre importante consultar um profissional para checar esses riscos”, afirma.

 

Combinações exigem atenção

 

Entre as associações que merecem cuidado está o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e diclofenaco, junto a anticoagulantes. A combinação pode aumentar de forma significativa o risco de sangramentos, inclusive hemorragias digestivas.

 

Os anti-inflamatórios também podem interferir no tratamento da pressão arterial. Quando utilizados em conjunto com determinados medicamentos para controle da hipertensão, podem reduzir o fluxo sanguíneo para os rins e comprometer sua função, especialmente entre idosos que já apresentam algum grau de perda funcional.

 

Os psicotrópicos também exigem atenção. Medicamentos utilizados contra ansiedade ou insônia, quando combinados com opioides ou outros sedativos, podem provocar sonolência excessiva e confusão mental, além de elevar o risco de quedas.

 

Sintomas podem indicar interação medicamentosa

 

Algumas alterações em idosos que utilizam vários medicamentos precisam ser avaliadas por profissionais de saúde. Entre os sinais de alerta estão confusão mental súbita, tontura persistente, sangramentos incomuns, inchaço nas pernas, urina escura e alterações no ritmo cardíaco.

 

Jhonata Vasconcelos alerta que determinados sintomas podem ser atribuídos equivocadamente ao processo natural de envelhecimento, dificultando a identificação de possíveis efeitos relacionados aos medicamentos.

 

“Não é raro que sintomas como esquecimento, fraqueza ou inchaço sejam associados apenas à idade, quando podem estar relacionados ao uso dos medicamentos. Por isso, qualquer alteração deve ser avaliada por um profissional”, alerta.

 

Para diminuir os riscos, a recomendação é manter uma lista atualizada de todos os medicamentos utilizados, incluindo aqueles comprados sem receita, vitaminas e suplementos. A relação deve ser apresentada durante as consultas médicas.

 

A revisão periódica das prescrições por médicos ou farmacêuticos também pode ajudar a identificar medicamentos que possam ser retirados, substituídos ou ter as doses ajustadas com segurança.

 

Outra orientação é concentrar, quando possível, as compras de medicamentos em uma única farmácia. Segundo o farmacêutico, isso facilita o cruzamento de informações sobre possíveis interações no momento da dispensação.