Foto: Divulgação/IA
Notícia do dia 15/10/2026
O Amazonas já registrou 112 casos confirmados de meningite em 2026, o segundo maior número entre os estados da região Norte, atrás apenas do Pará, com 431 ocorrências. Em todo o país, foram confirmados 8.623 casos neste ano, sendo 641 na região Norte, segundo o Painel Epidemiológico de Meningite, do Ministério da Saúde.
Apesar da queda de 18,2% nos casos confirmados no Brasil entre 2023 e 2025, a doença continua sendo uma preocupação de saúde pública. Crianças estão entre os grupos mais acometidos, enquanto idosos e pessoas com imunidade comprometida apresentam maior risco de desenvolver quadros graves.
A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por vírus, bactérias, fungos e parasitas, além de fatores não infecciosos. O agente causador determina a gravidade, o tratamento e as medidas de prevenção.
“A causa muda tudo. A meningite bacteriana é uma emergência médica, com risco de morte e de sequelas, enquanto a viral costuma ter evolução mais branda”, explica o infectologista Marcelo Cordeiro, consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde.
Tipos e formas de transmissão
A meningite viral é a forma mais frequente e, em geral, apresenta evolução mais branda. Mesmo assim, a avaliação médica é necessária para diferenciar os tipos da doença e definir o acompanhamento adequado.
Entre as meningites bacterianas, os principais agentes são o meningococo, o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo b (Hib). A doença meningocócica merece atenção especial por poder ser transmitida por secreções respiratórias durante contatos próximos e prolongados, como no convívio domiciliar e em creches.
Pessoas que tiveram contato próximo com pacientes diagnosticados com doença meningocócica podem precisar de quimioprofilaxia, procedimento que utiliza antibióticos para prevenir a infecção. O aparecimento de manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele pode indicar um quadro grave.
O pneumococo, por sua vez, pode estar presente no nariz e na garganta de pessoas saudáveis. A meningite ocorre quando a bactéria alcança a corrente sanguínea ou as meninges, podendo estar associada a infecções como otite, sinusite e pneumonia.
“Não é considerada contagiosa como a meningocócica e, em geral, não exige quimioprofilaxia dos contatos”, esclarece o infectologista.
Já o Hib atinge principalmente crianças pequenas que não foram vacinadas. Os casos diminuíram expressivamente após a introdução da vacinação. As meningites fúngica e parasitária são menos comuns e afetam sobretudo pessoas com imunidade comprometida. Também existe a meningite tuberculosa, causada pela bactéria da tuberculose.
Vacinação ajuda a prevenir casos graves
A vacinação é uma das principais medidas para prevenir as formas bacterianas mais graves da meningite. Na rede pública, há imunizantes contra agentes importantes, como meningococo, pneumococo e Hib, conforme a idade e os grupos contemplados pelo calendário vacinal.
Na rede privada, também está disponível a vacina meningocócica B, que protege contra o sorogrupo B do meningococo.
“A imunização mudou a história das meningites bacterianas. Manter as vacinas em dia é uma das medidas mais eficazes para prevenir formas graves da doença”, afirma Marcelo Cordeiro.
Sintomas exigem atendimento imediato
Febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, vômitos e sensibilidade à luz estão entre os principais sintomas da meningite. Em bebês, os sinais podem incluir irritabilidade, choro persistente e moleira abaulada.
O diagnóstico começa com a avaliação clínica e pode ser confirmado por exames, como a análise do líquor — líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal —, coletado por punção lombar. Hemoculturas e testes moleculares também podem ajudar a identificar o agente causador.
“Não dá para esperar. Diante desses sintomas, a pessoa deve procurar atendimento imediatamente, porque o tratamento precoce reduz o risco de sequelas e de morte”, alerta o especialista.