Católicos de Parintins questionam tradicional queima de fogos da festa do Carmo

Imagens de crianças autistas em desespero, desmaios de animais de estimação foram postadas, assim manifestações de apoio a tradição.

Católicos de Parintins questionam tradicional queima de fogos da festa do Carmo Divulgação Notícia do dia 17/07/2020

 

A tradicional festa de Nossa Senhora do Carmo, há 60 anos conta com grandes queima de fogos, especialmente ao meio-dia. No dia de 16 de julho a quantidade de fogos de artifício é multiplicada. Porém, em 2020, iniciou-se uma discussão ampliada sobre os prejuízos causados à saúde de crianças com autismo, de idosos e até de animais de estimação. Também relatos de apoio foram expostos.

 

Crianças autistas

 

Mari Azevedo, devota de Nossa Senhora do Carmo postou no Facebook o desespero do seu filho de 8 anos de idade com a queima de fogos ocorrida em Parintins por conta da festa da padroeira. Ela relata que se apegou a fé no nascimento do seu filho, pois o diagnóstico dele era grave, mas entende que é importante acontecer mudanças.

 

"Ontem o corpo dele se tremia todo, e não tinha o que o acalmasse. Por mais que você esteja ali do lado dele, não tem o que acalme. Como a gente mora aqui próximo ao bumbódromo, a gente não vive só essa situação na festa do Carmo. A gente vive na festa dos Bois, no carnaval. Não estamos questionando a festa do Carmo, a gente tem uma devolução muito grande pelo milagre que a gente teve", contou.

 

 

Kamile Gadelha afirma que o dia 16 de julho foi muito sofrido para famílias com membros autistas. Destacou que em um grupo foram muitos os relatos comoventes de crianças tentando se esconder, mesmo com abafadores profissionais no ouvido. É literalmente um bombardeio sonoro que desequilibra o sensorial na criança que pode desencadear surtos de agressividade, surtos psicóticos e até epilepsia. Aconteceu uns que não sofreran tanto, como foi com o meu filho, mas houve relatos de crianças que corriam de um lado para o outro em desespero", descreveu.

 

Kamile Gadelha descarta que isso seja um ataque a religião católica, e que  a salva de fogos vista no dia 16 de julho em Parintins aconteceu em toda cidade. "No carnaval também a gente sofre, no Boi também a gente sofre. Quem tem filho autista na época das festividades não consegue sair com ele. Esse problema da poluição sonora não é de agora, mas ficou mais e evidente por conta da característica da homenagem, de ser em toda Parintins", lembra.

 

A sugestão da maioria dos pais de criança com autismo é que ocorra a queima de fogos silenciosos como a adotada em muitas cidades.

 

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Jean Belém teve uma experiência traumática com a sua cachorrinha que entrou em estado de choque. Ele conta que a cachorrinha chamada Maju ficou dura e se tremendo toda desde o momento da queima de fogos às 19 horas. "Ela só melhorou às 23 horas quando o meu cunhado conseguiu medicá-la", relatou.

 

 

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Mas também há relatos favoráveis a manifestação que vem de muitas décadas. A jornalista e funcionária pública Mayse Garcia usou sua rede social para manifestar sua posição, lembrando que não é só na festa do Carmo que há queima de fogos em Parintins.

 

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A comerciante Lúcia Kimua também exerceu seu direito de concordar com o gesto do povo católico.

 

 

Márcio Costa/AmEmPauta

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