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Governo do Amazonas intensifica ações contra queimadas após reunião com ministros

Onze pessoas foram presas em Autazes por suspeita de envolvimento em crimes ambientais

Governo do Amazonas intensifica ações contra queimadas após reunião com ministros Foto: Divulgação Notícia do dia 19/10/2026

 

O Amazonas já combateu 22.974 focos de incêndio entre 1º de junho e 17 de outubro, segundo balanço apresentado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). Para intensificar as ações, o governo estadual reuniu autoridades neste domingo (18), em Manaus, e confirmou o reforço da operação com novas aeronaves, brigadistas e agentes das forças de segurança.

 

A reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec) foi coordenada pelo governador Roberto Cidade e contou com a participação do vice-governador Serafim Corrêa e de quatro ministros do governo federal. À tarde, as autoridades também se reuniram na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

 

Durante o encontro, Roberto Cidade destacou a mobilização dos órgãos estaduais e pediu a colaboração da população para prevenir incêndios e denunciar crimes ambientais.

 

“Estamos vivendo um momento crítico, que exige a atuação de todos. O Governo do Estado está trabalhando dia e noite, mas precisamos da união dos governos federal, estadual e municipal, além do compromisso da população. Toda e qualquer situação de perigo, de crime ambiental deve ser imediatamente denunciada à polícia, às forças de segurança”, afirmou.

 

O governador também determinou o reforço das ações de fiscalização para identificar e responsabilizar os responsáveis por queimadas criminosas.

 

Operação mobiliza 1,5 mil agentes

 

De acordo com o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleiso Muniz, as equipes atuam de forma reforçada em 36 municípios com maior número de ocorrências. A operação reúne cerca de 1,5 mil profissionais, entre bombeiros militares, brigadistas municipais e agentes federais, além de 96 viaturas.

 

No período de 1º de junho a 17 de outubro, os bombeiros contabilizaram 3.748 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e combateram 22.974 focos de incêndio, sendo 4.668 em Manaus e 18.306 no interior.

 

Na frente de repressão aos crimes ambientais, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) mobiliza cerca de 100 policiais do Comando de Policiamento Especializado e 25 viaturas em áreas com incidência de queimadas. Segundo o comandante-geral da corporação, coronel Klinger Paiva, 11 pessoas foram presas no sábado (17), em Autazes, suspeitas de envolvimento em crimes ambientais.

 

A PMAM também presta apoio ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) por meio da operação Tamoiotatá.

 

Governo federal amplia apoio aéreo

 

Durante a reunião, o ministro da Defesa, José Múcio, informou que o número de aeronaves empregadas no combate aos incêndios passará de 11 para 16. O reforço inclui aviões Air Tractor, cargueiro KC-390 e helicópteros, além do envio de 153 brigadistas do programa Floresta em Pé.

 

Também está previsto o reforço de pessoal das Forças Armadas e da Força Nacional para ampliar a capacidade de resposta às ocorrências.

 

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, ressaltou a atuação conjunta entre o governo federal, o Estado e os municípios para enfrentar a crise ambiental.

 

Amazonas registra mais de 8 mil focos de calor

 

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), apontam que o Amazonas registrou 8.165 focos de calor até 17 de outubro. Desse total, 2.124 foram identificados no Sul do estado e 3.819 na Região Metropolitana.

 

Apesar do aumento registrado neste ano, o total permanece abaixo da média histórica citada pela Sema, de aproximadamente 10 mil focos.

 

O monitoramento também indica que a fumaça que atinge Manaus sofre influência das queimadas em municípios da Região Metropolitana e em cidades do Pará, como Óbidos e Juruti. Entre os estados da Amazônia Legal, o Pará lidera o número de focos de calor, seguido por Mato Grosso, Tocantins e Amazonas.

 

Fiscalização aplica R$ 167 milhões em multas

 

O combate aos incêndios também envolve fiscalização e monitoramento ambiental. Até meados de outubro, o Ipaam havia aplicado mais de R$ 167 milhões em multas e realizado 421 embargos em áreas que somam mais de 65 mil hectares.

 

As operações contam com drones, câmeras térmicas, o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant Harpia) e conexão via Starlink para apoiar as equipes em campo. Entre as iniciativas estão as operações Tamoiotatá, Alerta Fogo e Amazonas+Verde.

 

O Corpo de Bombeiros também ampliou sua estrutura permanente no interior do estado, passando de 11 para 25 bases ao longo dos últimos anos.

 

Em setembro, a Polícia Civil registrou 66 boletins de ocorrência por incêndio e 151 por desmatamento, conforme os dados apresentados pelo governo estadual.

 

Decretos estabelecem medidas de emergência

 

O governo estadual publicou decretos para enfrentar os efeitos das queimadas e da estiagem. O Decreto nº 55.751, de 10 de outubro, declarou situação de emergência por 180 dias em 36 municípios afetados por incêndios florestais.

 

Já o Decreto nº 55.339, de 9 de setembro, estabeleceu por 120 dias o período proibitivo para o uso do fogo em todo o Amazonas, respeitadas as exceções previstas na legislação.

 

O Decreto nº 55.338 instituiu o Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas. Em 21 de setembro, o Decreto nº 55.486 declarou situação de emergência em todo o estado por 180 dias, em razão dos efeitos da estiagem agravada pelo fenômeno El Niño.

 

O governo estadual mantém a atuação integrada com órgãos federais e municipais para combater os incêndios, responsabilizar autores de crimes ambientais e reduzir os impactos da estiagem sobre a população e o meio ambiente.

 

Informações: Governo do Amazonas