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TRE-AM confirma regularização do transporte de indígenas para votação no Vale do Javari

UNIVAJA informou que combustível e apoio logístico estão garantidos para o 2º turno; entidade também apresentou retratação formal à Justiça Eleitoral

TRE-AM confirma regularização do transporte de indígenas para votação no Vale do Javari Arte/ TRE Notícia do dia 22/10/2026

 

O transporte de eleitores indígenas do Vale do Javari, em Atalaia do Norte, está regularizado para o segundo turno das Eleições 2026. A confirmação foi apresentada por representantes da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA) durante reunião realizada na quarta-feira (21 de outubro), na Câmara Municipal, com a participação do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), lideranças indígenas e representantes de instituições públicas.

 

Durante o encontro, conduzido pela juíza da 42ª Zona Eleitoral, Dálethe Borges Messias, a UNIVAJA informou que as questões relacionadas ao combustível e ao apoio logístico para o deslocamento dos eleitores foram resolvidas. Segundo o presidente da entidade, Jaime da Silva Mayuruna, as organizações indígenas se mobilizaram para garantir o abastecimento necessário, atendendo a todas as aldeias nas diferentes calhas de rio.

 

A magistrada ressaltou a atuação da Justiça Eleitoral para assegurar o direito ao voto nas comunidades indígenas, considerando as dificuldades logísticas e as particularidades geográficas e culturais da região. Ela também lembrou que acompanhou pessoalmente a entrega das urnas eletrônicas nas comunidades de Paraíso e Remancinho durante o primeiro turno.

 

Os representantes indígenas esclareceram ainda que, diferentemente de informações divulgadas por parte da imprensa, a população indígena de Atalaia do Norte votou normalmente no primeiro turno, com índice de abstenção semelhante ao registrado nas áreas urbanas do município.

 

UNIVAJA apresenta retratação formal

 

Durante a reunião, também foi abordada a retratação institucional apresentada pela Coordenação Executiva da UNIVAJA à juíza Dálethe Borges Messias e ao Juízo da 42ª Zona Eleitoral.

 

No Ofício nº 071/UNIVAJA-2026, a organização informou que não tinha conhecimento prévio nem havia autorizado o conteúdo e o encaminhamento de um documento elaborado anteriormente por sua Procuradoria Jurídica sobre o transporte eleitoral.

 

A entidade classificou o episódio como uma conduta isolada, que não seguiu seus procedimentos internos de deliberação e aprovação. Também informou ter determinado a abertura de procedimento administrativo para apurar responsabilidades e adotar as medidas cabíveis.

 

No documento assinado por Jaime da Silva Mayuruna, a UNIVAJA reafirmou o respeito à magistratura, ao Poder Judiciário e à Justiça Eleitoral, além de apresentar pedido formal de desculpas pelos transtornos e constrangimentos decorrentes do episódio.

 

Justiça Eleitoral acompanhará transporte no segundo turno

 

Como encaminhamento da reunião, a juíza eleitoral solicitou que as organizações indígenas apresentem oficialmente a relação das embarcações que serão utilizadas no segundo turno, com a identificação dos responsáveis e das contribuições de cada entidade ou órgão envolvido.

 

A documentação permitirá à Justiça Eleitoral acompanhar e fiscalizar o transporte, garantindo transparência e cumprimento da legislação eleitoral.

 

Para os próximos pleitos, também foi estabelecida a necessidade de apresentar antecipadamente informações sobre locais de votação, comunidades atendidas, rotas fluviais, distâncias, condições de navegabilidade, estimativa de eleitores e disponibilidade de embarcações e tripulações.

 

Os dados servirão de base para o planejamento logístico, incluindo eventual requisição de embarcações e definição de percursos e horários, conforme as condições geográficas da região.

 

O promotor eleitoral Miguel Ângelo ressaltou que a organização do transporte de eleitores é competência da Justiça Eleitoral, mas associações civis, órgãos públicos e outras instituições podem colaborar, desde que respeitem as normas legais.

 

A reunião contou ainda com a participação da juíza auxiliar da Presidência do TRE-AM, Mônica Câmara; da diretora-geral do Tribunal, Cynthya Edwards; do assessor de Gestão de Eleições, Marcelo Sussuarana Lira; além de representantes do Ministério Público Eleitoral, da Prefeitura, da Câmara Municipal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e de organizações indígenas.

 

Informações: TRE-AM.