Foto: Divulgação/IA
Notícia do dia 12/05/2026
Apesar dos avanços no tratamento da asma, o controle da doença ainda enfrenta desafios importantes no dia a dia dos pacientes. Estudos apontam que a maioria das pessoas com a doença não utiliza corretamente os dispositivos inalatórios, comprometendo diretamente a eficácia do tratamento.
Pesquisas indicam que entre 70% e 95% dos pacientes cometem erros na técnica de inalação, o que reduz a ação dos medicamentos e aumenta o risco de crises asmáticas.
Segundo o farmacêutico da rede Santo Remédio, Lucas de Sá Morais, a dificuldade no uso correto dos inaladores é mais comum do que parece.
“Muitas vezes, o paciente não entende exatamente como utilizar o inalador. Ele tenta seguir o manual, mas acaba usando de uma forma que não é totalmente correta, comprometendo a administração do medicamento e a resposta ao tratamento”, explica.
Uso inadequado pode causar riscos
De acordo com o especialista, o uso incorreto pode levar tanto à falta de eficácia quanto a efeitos adversos.
“Quando o paciente faz uma subdose, pode acabar trocando para um medicamento mais potente antes mesmo de obter resposta adequada. Já doses acima do recomendado podem induzir toxicidade”, alerta.
Cuidados no uso da bombinha
Para garantir melhores resultados no tratamento, alguns cuidados simples fazem diferença.
A primeira orientação é ler o manual do fabricante e higienizar as mãos antes do uso, com água e sabão ou álcool em gel 70%.
No caso do inalador dosimetrado (MDI), o dispositivo deve ser agitado por cerca de 10 segundos antes da aplicação. Já os inaladores de pó seco (DPI) e nebulizadores exigem orientações específicas de acordo com o fabricante.
Durante o uso, o paciente deve posicionar o bocal entre os dentes, vedar com os lábios e inspirar profundamente ao liberar o medicamento. Após a inalação, é recomendado prender a respiração por aproximadamente 10 segundos e expirar lentamente.
Ao final da aplicação, o enxágue da boca ajuda a evitar irritações, principalmente em tratamentos contínuos.
Asma afeta milhões de brasileiros
A asma é uma doença inflamatória crônica que afeta as vias aéreas e provoca sintomas como falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto no tórax.
Embora não tenha cura, o controle adequado é possível com acompanhamento médico e uso correto dos medicamentos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 150 milhões de pessoas vivem com asma no mundo.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que aproximadamente 20 milhões de pessoas convivem com a doença. Todos os anos, cerca de 350 mil internações são registradas por complicações relacionadas à asma, colocando a doença entre as principais causas de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS).
Importância da orientação farmacêutica
Lucas de Sá Morais destaca que muitos pacientes acreditam que o medicamento não está funcionando, quando o problema está na técnica de uso.
“É nesse momento que entra o papel do farmacêutico, esclarecendo dúvidas e orientando sobre a forma correta de inalação. Isso melhora a resposta ao tratamento e evita o uso desnecessário de medicamentos mais fortes”, afirma.
O acompanhamento profissional contribui para o controle da doença, redução das crises e melhora da qualidade de vida dos pacientes.